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O Lamento dos Gigantes Encantados
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O pessoal da minha família costuma dizer que tenho ouvido de cachorro. Às vezes desconfio de que tenho nariz de cachorro também. Tem dias que meu faro está tão aguçado que eu sinto todos os odores, desde o perfume do Jeff no travesseiro que ele usa quando dorme aqui em casa, até o adocicado aroma das orquídeas no jardim e também um possível xixi do Toddy em algum canto do quarto. Sem contar o cheiro de orvalho de manhã e a peculiar umidade em volta do filtro de barro. Com tantos cheiros se tornando tão nítidos para mim, chega a ser um estupro olfativo quando meu pai passa banhado em seus perfumes fortes.
Mas um cheirinho em especial não precisa de faros aguçados para ser sentido sempre durante a madrugada, quando vai se aproximando o amanhecer. É o odor revigorante dos eucaliptos no alto do morro aqui perto. Quando o orvalho da noite toca suas folhas, eles exalam um perfume inconfundível, adorável. Aquelas majestosas árvores que sempre ocuparam as mais incríveis fantasias da minha infância, quando no entardecer abrigam as luzes do sol que se põe por detrás delas e espalham seus raios transformando toda as árvores em volta num bosque mágico habitado por fadas e seres encantados.
E qual não foi minha terrível surpresa quando, ainda confusa com o despertar do relógio, senti o perfume daquelas magníficas árvores dentro do meu quarto fechado, em pleno sol quente. Saí do quarto sem entender muita coisa, a tempo apenas de ouvir o ruidoso estrondo causado pela queda de uma delas. Em seguida, o som da moto-serra cortou o ar como uma flecha assassina. Me recusei a acreditar que aquilo poderia estar acontecendo e comecei a maquinar qualquer outro motivo para o estrondo e o barulho, mas minha mãe tratou de me colocar de volta na realidade, dizendo: "O José Graciosa comprou aquela casa que tem lá em cima e mandou derrubar as árvores porque elas podem colocar em risco a propriedade". Ora, ora, vejam só! Em meus vinte e cinco anos de vida, nunca vi uma única árvore daquelas cair e agora chega um figurão querendo inventar desculpa para colocar todas elas ao chão! Minha revolta foi tão grande, que estive prestes a pegar o telefone para fazer uma denúncia, mas novamente fui encaixada na realidade como a estúpida engrenagem mecânica daquele ditado que os donos de empresas adoram, comparando a empresa com um grande relógio. E devidamente colocada naquele que acreditam ser o meu lugar, ouvi meu pai dizer algumas milhares de vezes que o tal figurão é gente de muita influência dentro da cidade e que eu jamais conseguiria fazer nada contra ele. Por fim, cansada pela mania pessimista e insistente que meu pai adotou de estar sempre tentando me fazer desistir de tudo, e convencida pela minha mãe de que o tal homem tinha licença dos órgãos públicos para fazer o que estava fazendo, acabei desistindo da denúncia e fui condenada a sentir o lamento transformado em cheiro daqueles magníficos gigantes por todo o dia, e por todos os dias a seguir, mesmo que ninguém mais consiga sentir aquele triste perfume, até que não sobre mais um único eucalipto de pé.
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Cuidados na hora de comprar
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A falta do que fazer leva uma pessoa como eu a vagar por lojas virtuais na
internet, não necessariamente à procura de algo específico, mas apenas pelo
prazer momentâneo de ver aquele monte de coisas que gostaria de comprar mas não
pode, ou apenas colecionando idéias para colocar em prática mais tarde.
E foi assim, vagando por lojinhas que se auto-intitulam “lojas especializadas
em produtos de magia e bruxaria”, que me deparei com um desses absurdos: gente
que aproveita da falta de conhecimento das pessoas para ganhar dinheiro em cima
delas e de quebra ainda divulgam uma visão totalmente errada daquilo que dizem
defender. Pois bem. Não é que numa dessas lojas eu encontrei uma simples faca de
cozinha, dessas que se compra por pouco mais de 1 real em lojas comuns, que
depois de enfeitada com algumas pedrinhas e um pouco de Durepox se transformou
numa poderosa “faca mágica” e está sendo vendida a consideráveis 35 reais!? E um
caderno desses pequenos de capa dura, com um pentagrama desenhado na capa, que
se transformou no fantástico Livro das Sombras e está sendo vendido a 40 reais!
E o pior é que tem gente que compra...
Uma dica que eu dou é sempre pesquisar muito antes de adquirir qualquer
produto, especialmente artigos mágicos. Aquela faquinha ali em cima não passou a
ser mágica só porque alguém a enfeitou com pedrinhas coloridas, um caderno não
passa a ser mágico só porque alguém gravou um pentagrama nele. Instrumentos
desse tipo são muito pessoais e, sempre que possível, deve-se tentar fabricar os
seus próprios. Se não der para fabricar, pesquise. No Mercado Livre, por
exemplo, tem muita coisa interessante que pode ser aproveitada para o uso em
magia. As famosas lojinhas de 1,99 estão repletas de coisas que podem ganhar uma
utilidade especial com um pouco de criatividade. Meu athame mesmo eu comprei por
um preço muito bom numa loja de produtos de pesca e meu bastão eu mesma
fabriquei com bambu mirim e cristal. E se você é do tipo de pessoa que tem
parentes mais velhos ainda vivos, como avós e bisavós, pode ser que uma delas
tenha o item que você precisa, e adquiri-lo de alguém que você ama o torna muito
mais mágico do que compra-lo numa loja. Tenho aqui comigo uma licoreira doada
pela minha avó, um jogo de prataria e um caldeirão doados pela minha mãe e um
belíssimo cálice de cristal que ganhei de uma tia.
Muita gente, ao iniciar um estudo de magia, bruxaria, ou Wicca, acaba
gastando verdadeiras fortunas em material, ou simplesmente adiando o início de
sua prática por falta de instrumentos ditos “ideais”. Eu considero os
instrumentos necessários, mas não fundamentais. Com apenas o seu corpo, sem
qualquer roupa, instrumento ou acessório, é possível fazer rituais extremamente
eficazes e muitas vezes mais poderosos do que aqueles repletos de itens caros. O
importante é a intenção, é o seu poder pessoal, sua capacidade de se concentrar,
de canalizar a energia e de visualizar o seu objetivo. Como a mente humana
trabalha melhor com a simbologia do que com as palavras em si, os instrumentos
mágicos são símbolos utilizados para ajudar a pessoa a se concentrar, direcionar
e canalizar sua própria energia para alcançar um objetivo. Mas praticar os
rituais não depende de ter os instrumentos imediatamente. Você pode começar a
sua prática e ir adquirindo os instrumentos ao longo do tempo. Se não tem um
cálice necessário para o vinho, ou a água, utilize um copo bem limpo e
purificado, se não tem o athame ou o bastão para apontar uma direção, use seu
próprio dedo, se não tem castiçal, ou incensário, utilize alguns pires também
limpos e purificados. E ao longo de sua prática, vá adquirindo os itens que
faltam.
Se você está iniciando agora, guarde seu dinheiro para investir em livros. E
leia tudo o que puder antes de começar a praticar, pois ninguém é dono da
verdade na bruxaria e você vai ter que aprender a distinguir o que lhe serve, e
o que não lhe serve, no que é ensinado por outras pessoas.
Sites interessantes para quem está iniciando a busca pelos
instrumentos: Mercado Livre Fórum do
Bruxaria.net Comunidade
Bruxaria Eclética no Orkut
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Apenas Começando
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“Warning” (Jenny Joseph)Quando eu for velha, vou me vestir de roxo Com um chapéu vermelho que não combina, e não me deixa bem. Quero gastar minha aposentadoria em conhaque, luvas de seda E sandálias de cetim, e dizer que não tenho o dinheiro da manteiga. Sentar-me no chão quando estiver cansada Devorar amostras nas lojas e apertar botões de alarme E raspar minha bengala nos gradis das ruas Para compensar a sobriedade da minha juventude. Sairei de chinelos na chuva Colherei flores em jardins alheios E aprenderei a escarrar. Poder usar blusas medonhas e deixar-me engordar, E comer dois quilos de lingüiça de uma só vez Ou apenas pão e picles por uma semana E estocar canetas e lápis e bolachas de chope e coisas em caixas. Mas por ora devemos ter roupas que nos mantenham secas Pagar nosso aluguel e não xingar pelas ruas Dando um bom exemplo para as crianças. Temos de convidar amigos para jantar e ler os jornais. Mas e se eu pudesse ir praticando um pouco agorinha mesmo? Para que quem me conhece não fique chocado ou surpreso Quando eu de repente for velha e passar a usar roxo. Para o meu primeiro post na casa nova, nada como um dos poemas de que mais gosto. É o único que conheço dessa poetisa e meu contato com ele foi através do livro O Feitiço da Lua, de Márcia Frazão. Confesso que esse foi um dos primeiros poemas que eu consegui entender de verdade, porque a minha relação com a arte dos poetas nunca foi muito boa. Até o dia em que me deparei com uma das coisas que mais gosto, a música, transformada num verdadeiro poema pela voz de Oswaldo Montenegro. Pronto. A partir daquele dia, minha própria vida se transformou num poema em que cada dia se transforma em verso e se faz canção ao longo da jornada. E embalado num dos mais belos e divertidos poemas, deixo este post de apresentação, com a esperança de que voltarei muitas vezes para dar continuidade à arte das palavras através do blog.
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