Carla, 24 anos, professora de informática, aprendiz de "webmonster", canceriana, vegetariana, bruxa; adora música, cinema, livros, família, amigos, animais de estimação, namorado e chocolate.
El Laberinto del Fauno e memórias
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Assisti El Laberinto del Fauno hoje. O filme é sensacional. Quem já assistiu, sabe do que estou falando. Quem não assistiu, assista porque está perdendo! Mas não vá ao cinema/locadora/internet achando que verá uma Cinderela, ou qualquer historinha “by Disney”. O filme é triste, chocante, nojento em alguns momentos e revoltante na maior parte do tempo, mas o conto de fadas está lá, envolvendo tudo isso para te fazer se sentir melhor e ter esperança de que, apesar de tudo, as coisas podem dar certo para Ofélia, a protagonista.

Mas, Carla, esse não é o seu blog pseudo-filosófico? Então o que uma resenha está fazendo aqui?
É que esse filme me fez pensar. Quando comecei a ter consultas com a psicóloga, há uns dois anos, uma das coisas que ela me fez fazer foi lembrar-me de como eu era na infância, e de tudo o que eu mais queria ser quando tinha lá meus seis, sete anos. E que eu colocasse tudo o que conseguisse lembrar em forma de colagens e desenhos numa cartolina. Mal sabia ela que eu me lembrava de tudo e que seria complicado fazer caber numa simples cartolina. Mas aceitei a tarefa feliz.

Então, como era a pequena Carla?

A Carla era uma menina que não gostava de ser chamada de Carlinha, a menos que fosse por algum parente mais velho. Tirava boas notas na escola (menos em matemática) e adorava histórias de todos os tipos. Durante a semana, passava horas sentada na cama, ouvindo, pela enésima vez, as fitas de histórias narradas e folheando os livrinhos ilustrados como se os visse pela primeira vez. Durante os finais de semana, ia para a casa de seus padrinhos, onde passava a maior parte do tempo brincando sozinha no quintal, inventando brinquedos, cantando músicas pensadas na hora e conversando “consigo mesma” enquanto imaginava as cenas de tudo o que estaria acontecendo ali, no seu pequeno mundo de plantas, terra, flores, hortas e galinheiros. Quando tinha oportunidade, sentava-se abaixo dos eucaliptos no terreno ao lado da casa e ficava ali por muito tempo, conversando com as árvores, enquanto brincava com os peixinhos coloridos que nadavam entre as plantas na água do pequeno córrego que passava por ali. Ela vivia num mundo à parte, um lugarzinho só seu, cheio de seres encantados, fadas e bruxas que preparavam suas poções mágicas em caldeirões de ferro. Ela mesma tinha seu próprio caldeirão. Uma grande panela de alumínio que pegava na cozinha, onde juntava diversos tipos de plantas no jardim e as mexia com uma colher de pau, enquanto se imaginava conversando com seres encantados e outras bruxas, a respeito do preparo e o motivo daquela mágica poção. Quase sempre o objetivo era “desencantar” algum príncipe engomadinho e sem graça.
Ela também gostava de brinquedos pequenos. Bonecas, carrinhos, joguinhos de chá. Tudo o menor que pudesse ser. Passava horas sentada na cama de sua avó, com todos aqueles minúsculos bibelôs esparramados em volta dela, fantasiando momentos e situações das mais diversas, onde bonecas conversavam com pôneis, que eram amigos das vacas, e todos tinha uma missão de resgate aos botões mágicos da caixa de costura.

Na escola, a pequena Carla era difícil. Escrevia devagar, lia devagar e quase sempre ficava até muito tempo depois da hora na escola copiando o dever. Ela passava a maior parte do tempo “viajando” e ouvindo lá longe a professora dizer “Carla, presta atenção”, “Carla, copia o dever”, “Carla, anda logo menina”. Durante o recreio, ficava sentada sobre as raízes de uma árvore muito grande, recolhendo dezenas das pequenas sementes bicolores que caíam no chão e vendo as formigas, que tinham a mesma cor das sementes, carregarem pequenas folhas da árvore até o buraco do formigueiro. Mas ela gostava da escola, especialmente da merenda, que sempre tinha coisas gostosas para comer. Podia ser arroz, feijão e batata, que ela comia como se fosse um banquete. Das aulas, ela sempre gostou mais da de artes, ou dos horários livres, onde podia se perder em desenhos, tintas e cores.

Se você pergunta aos mais velhos, como foi a infância da Carla, eles vão dizer que foi difícil, que ela era muito doente, que precisava dormir sentada no colo porque se deitasse podia morrer sufocada, e que viviam mudando de médicos para outros médicos a procura de uma cura para o seu problema que todos diziam não ter solução.
Mas eu não me lembro de nada disso. Lembro de coisas de quando tinha pouco mais que um ano de idade. Coisas que nem os mais velhos se recordavam até eu contar. Mas nenhuma delas é triste, sofrida ou chocante. Naquela época, eu estava muito ocupada com o meu mundinho encantado para dar qualquer importância ao que se passava no mundo real.
E ninguém tem o direito de dizer que eu fui triste, ou que tive uma infância sofrida, porque eu só me lembro de uma criança esperta e feliz, de seres encantados, árvores que conversavam e caldeirões mágicos.

E é por isso que o filme me fez pensar... Talvez um conto de fadas seja realmente capaz de tirar uma criança de qualquer situação, por pior que ela possa parecer.

Por favor, adultos, permitam as suas crianças o direito de imaginar e sonhar.




Novo layout
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Post ultra rápido, só para falar do layout novo. Porque eu mudei muito rápido, né?
Não sei... Aquele estava bonito, mas eu peguei um daqueles “bichinhos de novidade” nessa madrugada e nem consegui dormir enquanto não terminei de arrumar tudo - na verdade, ainda não dormi até agora – e acho que esse layout combinou melhor com a idéia do blog do que o anterior.

Antes de mais nada, preciso dar os devidos créditos a quem merece! ^_^
Esse lay não teria ficado assim, bonito e chique, se eu não tivesse usado os brushes fornecidos pela Bárbara e pela Mariana lá no Deleteria. Fico muito agradecida as duas, porque os brushes delas me ajudaram a aperfeiçoar o meu trabalho.
Preciso agradecer também ao Gralha-senpai, que além de ter um ótimo senso de design, é daltônico e sempre me ajuda a escolher as melhores cores para facilitar a leitura do blog! XD

Mas é isso...
Eu estou cheia de coisas pseudo-filosóficas que gostaria de postar aqui, mas agora estou um pouquinho sem tempo. (está na hora da minha mãe jogar no PC hehehe)
Então, fica pra depois!






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